Tinha em mente um assunto muito importante para "postar" hoje que era disciplina. Já comentei sobre disciplina aqui no meu blog, mas tenho mais a acrescentar sobre o assunto e vou contar com a ajuda de mais duas pessoas sobre esse mesmo tema: Abilio Diniz e Giorgia. Não percam essa "matéria" (risos) amanhã ou durante a semana!
Hoje tenho uma coisa também muito importante para comentar: fui convidada para um churrasco na casa da minha amiga. Estava preparada psicologicamente para o fato. Planejei tudo o que poderia comer nesse churrasco e, se não fosse pela sobremesa, teria cumprido os meus planos de não estrapolar. Não comi muito da sobremesa, mas comi. Não fui forte o bastante. Também sei que reeducação alimentar é para sempre e que se eu souber, poderei comer sobremesa sim. O caso é que eu engordei a semana passada e tinha planejado não comer doces ou muitos carboidratos nessa semana. Não consegui.
Vocês não imaginam como eu me sinto desapontada quando não consigo me controlar e me manter no comando.
O assunto que quero contar sobre o churrasco é exatamente sobre compulsão e sobre uma uma garotinha de 5 anos que encontrei lá. Quando minha amiga, após o churrasco, trouxe a travessa de sobremesa para nos servir, notei que parte da sobremesa já havia sido comida. Minha amiga se desculpou pelo fato e disse que a sobrinha dela não havia conseguido esperar pela hora da sobremesa e tanto insistiu que foi necessário servi-la antecipadamente. Assim que Lia (a garotinha) viu minha amiga nos servindo, veio correndo com uma travessinha e pediu um novo pedaço. Nos servimos todos e a garotinha mais uma vez repetiu a sobremesa. A filha da minha amiga vendo o fato comentou: ela é compulsiva por comida !
Lia é uma menina gordinha, bochechuda, um tronquinho. Fiquei observando Lia e vi quantas outras coisinhas ela comeu depois dos três pratinhos de sobremesa. Fiquei imaginando o que se pode fazer quando temos na nossa família uma criança que desde os 5 anos já se mostra compulsiva. Soube que Lia está frequentando psicólogos devido à compulsão.
Voltei no tempo e me lembrei de que fui uma criança compulsiva. Lembro que uma vez comi uma pacote de meio quilo de doce de leite sozinha ... Lembro uma outra ocasião que, em casa de parentes, comi quase um pacote inteiro de bolacha água e sal com queijo branco. Outra ocasião comi tanta jabuticaba com caroço e fui parar num hospital, intalada !
Mas não me lembro de ter sido repreendida por minha mãe. Ao contrário, lembro das vezes que ela me permitia comer dois ou três pãezinhos Francês no café da manhã e mais outros no café da tarde. Será que ela não deveria ter me chamado a atenção por ter comido tanto ? Será que ela não deveria ter me levado num psicólogo ou ter me dado uma surra (exagerando!) ?
O que lembro foram das inúmeras vezes que ela me empurrava comida, dizendo: se comer tudo eu deixo brincar ! Se não sobrar nada no prato você terá um prêmio e coisa e tal. Fui incentivada a repetir refeições.
Sei que tudo o que os meus pais fizeram foi o que eles entendiam como o melhor para mim. Lembro que eles adoravam quando alguém dizia que eu estava gordinha !
E agora aqui estou aos 45 anos e ainda lutando contra a compulsão alimentar. Hoje, na casa da minha amiga, notei que esperei anciosamente pela hora da sobremesa. Não conseguia tirar aquele sorvete da minha mente. Sei que isso é compulsão. Conheço os sintomas. Sei que, se estivesse sozinha, teria repetido tantas vezes o sorvete quanto a garotinha repetiu. Comi uma vez, uma pequena porção, mas talvez só me controlei porque estava na presença de outras pessoas e não seja mais uma garotinha.
Estou nesse trabalho em busca da minha cura e percebo que muito pouco caminhei e que ainda não consigo me controlar, mas sei que uma coisa importante está acontecendo: consigo perceber minha compulsão. Consigo enchergá-la e analisar cada passo que ela dá. Conheço os pensamentos da compulsão.
Há algum tempo atrás não reconheceria que fui uma criança compulsiva. Hoje, vendo a garotinha, percebi o tamanho do problema que estou enfrentando. Percebi que não estou combatendo um fato recente, mas um antigo "obsessor".
Se fiquei triste ? Sim fiquei. Mas também fiquei mais consciente. Fiquei mais esperta comigo mesma e reconheço agora, mais ainda, que o trabalho não será fácil e as ilusões ficaram todas à parte.
Nada de Natal com 10 quilos a menos. Nada de biquini de bolinha amarelinha em janeiro. Nada de piercing em março.
Mas sim menos 300 gramas em 15 dias, menos 1 quilo em dois meses ... e daí ? Não tá bom ? Tá bom sim ... tá ótimo. O que eu quero é continuar no jogo e o placar desse jogo nunca foi minha prioridade.